quinta-feira, 3 de julho de 2008

A paciente (ou minha mãezuca)

Minha mãe é uma mulher de 56 anos. Psicóloga, mãe de 3 filhos, filha de uma mulher maravilhosa, minha avó, e enteada de um homem tb maravilhoso, meu avô, que são as 2 pessoas que estão dividindo os dias com ela, atualmente.

A vida dela mudou muito nos últimos 18 meses. Sempre digo que ela é uma pessoa que admiro muito. E agora, doente, a admiro mais ainda. Ela começou o ano de 2007 trabalhando em 2 empregos, dirigindo, casada, morando na própria casa e dona de suas coisas (bem ou mal). Parou de dirigir e entrou de licença do trabalho em fevereiro/2007. Separou-se em abril/2007 e terminou o ano morando na casa dos meus avós e com um diagnóstico de Doença de Alzheimer. E enfrenta tudo isso de uma forma tão positiva (na maior parte do tempo) e digna que me deixa admirada com a força que existe dentro dela. É uma pessoa realmente fantástica.

Na minha opinião ela está bem. Meus avós e ela têm uma ótima convivência, e acho que os dias dela são bons, na maioria. Entretanto, como a doença está em estágio inicial, ela tem consciência do que está acontecendo e sente saudades da casa dela, onde meu irmão mora sozinho agora, sente saudades de trabalhar (ela trabalhava com transtorno mental), de poder dirigir, de cuidar do próprio dinheiro, de ser útil e essas coisas... Mas como ela já precisa de alguns cuidados e principalmente companhia, e não aceita que contratemos alguém, a melhor solução até agora é ela ficar com meus avós e ir para a casa dela, que fica em outra cidade, de vez em quando (ou de vez em sempre, que é o que acaba acontecendo, porque ela sempre quer ir pra lá :)).

O 1o desabafo

Resolvi escrever o blog para desafar mesmo, dividir. Já tem algum tempo que penso em escrever alguma coisa sobre Alzheimer. Fazer alguma coisa que junte informações, links, e principalmente pessoas, porque isso é algo importantíssimo nessa doença. Para mim, filha de uma pessoa com Alzheimer, a solidão tem sido uma constante. Muitas e muitas vezes me senti desamparada. A doença da minha mãe, uma jovem senhora de 56 anos, chegou junto com uma desestruturação total da minha família. E nessa hora, quando eu mais queria minha mãe comigo, pra me aconselhar, me dizer o que fazer, me ajudar a levar a vida, eu vejo que ela está mais é pra receber tal apoio..